segunda-feira, 3 de junho de 2013

Dancer in the dark

Dançando no Escuro (2000) retrata a história de Selma Jezkova (Björk), uma imigrante do leste europeu, que se muda para os Estados Unidos buscando uma maneira de pagar a operação de seu filho que corre o risco de ficar cego. Selma também sofre do mesmo mal do menino e diariamente perde um pouco da sua visão até ficar completamente cega, como seu quadro é irreversível ela busca uma maneira de curar Gene, para que ele pelo menos possa salvar a visão. Apesar da visão muito debilitada ela trabalha noite e dia numa fábrica, além de trabalhos extras, para conseguir o dinheiro da cirurgia.
Sonhadora, Selma foge da realidade opressiva e dura através dos musicais que tanto gosta. Sonha acordada com passos de dança e músicas que tornam seu cotidiano um pouco mais alegre. No filme esses momentos, interpretados com músicas de autoria da própria Björk, se tornam mais coloridos e vivos fugindo do padrão de imagem despotada de maioria das cenas. O espectador é convidado a entrar no mundo de Selma a onde a visão não importa, com o som e com a música tudo se torna mais visível.
Entretanto seus planos mudam drasticamente quando Bill, seu senhorio, descobre que ela guarda uma boa quantia de dinheiro no trailer alugado. Afogado em dívidas e desesperado com a situação Bill aproveita da debilidade de Selma para pegar o dinheiro que ela juntou com tanta dificuldade. Selma tenta reaver o dinheiro e depois de um mal entendido acaba assassinando Bill. Por ser imigrante Selma é injustiçada e totalmente indefesa, mal tendo um advogado descente para defende-la, acaba sendo condenada a morte.
Uma alegoria impactante da sociedade americana Dancer in the Dark retratada o estilo de vida americano através de Bill e sua esposa Linda, gananciosos não poupam nem os mais fracos. A fábrica onde Selma trabalha é a representação da desumanização capitalista, e as injustiças que sofre não retratam apenas a maldade das pessoas mas de todo um sistema social e de poder. Ao mesmo tempo que também mostra a bondade de pessoas dispostas a ajudar, como Jeff e Kathy, que apesar dos esforços se veem de mãos amarradas frente ao sistema. Sozinha, sem ajuda de familiares e em um país que a despreza Selma tem que decidir se reabre o caso para poupar-se da pena de morte ou se salva seu filho Gene da cegueira.
De Lars von Trier, o mesmo diretor de Dogville, Dançando no Escuro é daqueles filmes envolventes e de um drama sem clichês melosos. Björk está maravilhosa na produção. Doce e intensa ela interpreta a dor de Selma de uma maneira angustiante ao mesmo tempo resignada e passiva, mostrando a impossibilidade de  ação de uma pessoa frente a ordens e sistemas superiores opressivos.
Dei uma pesquisada sobre o filme e descobri que ele foi totalmente gravado por uma câmera digital e com poucos recursos tecnológicos. Lars minimaliza as técnicas e usa a câmera de maneira instável, na mão e sem preocupações com valores estéticos. Diferente dos musicais clássicos, que oferecem um escapismo da realidade o diretor vai na contra mão, mesmo com pontos de musicais e alegorias ele retrata uma realidade presente, dura, massiva e injusta.
Super indico, um dos melhores filmes que já vi.





7 comentários:

  1. Parece ser realmente bom e já estou com vontade de ver!

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  2. Eu tô com ele no computador tem um tempinho, mas cadê o tempo pra assistir. ):

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  3. Gosto de filmes de drama... Vi o filme A música e o silêncio que retrata como a Língua de Sinais é importante para as pessoas surdas. Realmente também é muito bom!

    Blog atualizado
    jj-jovemjornalista.com

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  4. Não sou muito fã da Bjork como cantora, mas devo admitir que aqui ela está sensacional, tanto é que levou Cannes. Não é o meu preferido do von Trier, mas está entre os melhores.

    seuguindo :)

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    http://olhosmofados.blogspot.com.br/

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  5. Assisti pra uma lição da faculdade, há muito tempo. E gostei demais! Me tocou esse filme!

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