quarta-feira, 19 de junho de 2013

Depois de Lúcia



Do diretor mexicano, Michel Franco, Depois de Lúcia é um filme que leva o espectador a refletir sobre um tema em alta, mas que ainda precisa de muita atenção, o bullying. De uma maneira chocante o filme aborda um assunto bem discutido nas mídias e em rodas de debates, e levanta questões importantes: A omissão dos adultos no processo e a submissão dos agredidos frente a seus agressores. Depois de Lúcia é um filme sobre perdas e seus efeitos. 

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Alejandra muda-se com seu pai de uma cidade litorânea para a Cidade do México. Em um processo de mudanças e luto, pela morte da mãe e esposa, ambos tentam se adequar ao novo estilo de vida. O sentimento de falta, ausência, é perceptível nas cenas, os dois pouco falam quando estão juntos e a casa, pouco mobiliada mostra essa falta da mãe e o processo doloroso que estão passando. Apesar de se darem bem o diálogo entre pai e filha é bem abalado pela perda, o diretor soube passar muito essa falha de comunicação entre os dois, quando você assiste é possível sentir essa barreira entre as personagens.
Ao fazer amizade com um grupo da escola Alejandra passa a sofrer bullying por conta de um vídeo pessoal que foi parar na internet. Diariamente ela sofre maus tratos que começam com o isolamento que passa para o terror psicológico, agressão física e também estupro. A sucessão dos fatos é perturbadora para quem assiste, a protagonista não reage e nem denuncia os maus tratos. Muitas vezes durante o filme eu queria sacudir Alejandra e pedir que ela simplesmente denunciasse tudo aquilo. Depois fui ler uma crítica do filme e entendi o porque do diretor ter salientado tanto esse silêncio. Michel Franco chama a atenção para o universo dos adultos omissos, e no caso do México, essa omissão segue-se para o Estado: a polícia não pode interrogar um menor de idade. O filme coloca em foco a falta de conversas, debates, sobre o assunto e a vergonha que o agredido sente por tudo aquilo. Além de mostrar como a falta de uma pessoa, no caso a mãe, piora a situação abalando ainda mais as relações e o desenvolvimento do fatos.
Já vou adiantando que o final é tão perturbador quanto o tema. Li um artigo que criticava o andamento das cenas do filme e a falta de ritmo. Para mim essa "falta de ritmo" salientou mais esse processo lento e doloroso de uma vítima de bullying, aquele engasgado, aquela mudança que você quer ver, mas que não acontece. O filme em geral é um tapa na cara, trágico, sofrido, mas real. O pior disso tudo é que essa é uma realidade constante e presente, mas poucos analisam. Eu sei de pessoas que já sofreram esses maus tratos do meu lado, e aí? É brincadeira de criança, de jovem sem cabeça? Ninguém vai fazer nada?
Bullying como qualquer outro mau trato deixa sequelas, e no filme o diretor leva isso ao extremo, talvez para chocar, ou ainda quem sabe para mostrar que esse sofrimento é sempre maior é mais complexo para quem está do outro lado.



Um comentário:

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