segunda-feira, 17 de junho de 2013

Em Tempos de Revolução

anonymous | via Facebook
Hoje de manhã ao abrir a página do Facebook recebi uma enxurrada de notícias, fotos, apelos e manifestos contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo. Vários usuários mudaram suas fotos de perfis para imagens da máscara do grupo Anonymous (inspirada em Guy Fawkes) e organizaram eventos e encontros para os protestos, só hoje eu recebi uns oito convites pela rede social. Durante a viagem de ida até a faculdade fiquei pensando sobre tudo aquilo. Eu não mudei minha foto de perfil, não publiquei notícias sobre o assunto e é muito provável que não irei marchar na Paulista. Apesar de sempre achar que o povo devia reivindicar seus direitos, opor-se ao governo e buscar soluções mais justas para as leis, fiquei pensando sobre as revoluções e suas reais motivações. Perguntei para o meu pai o que ele achava das manifestações, e ele que foi um desses que saiu às ruas na sua época me disse uma coisa que me fez pensar: “Hady eu acho que tem que sair mesmo, não pode aceitar tudo calado. Na minha época, nós estudantes, conversávamos sobre o assunto, tinha toda uma ideologia que fazia o povo sair às ruas. Hoje em dia é fácil propagar uma ideia na internet, mas viver uma revolução, se envolver num protesto, agarrar a ideia é outra coisa”.

(Protesto em São Paulo. Imagem via: Veja)

 Fiquei pensando no que ele falou e no que eu tinha visto no Facebook. Só para constar, revolução significa ato de revolver, “grande transformação, mudança sensível de qualquer natureza, seja de modo progressivo, contínuo, seja de maneira repentina”; “movimento de revolta contra um poder estabelecido, e que visa promover mudanças profundas nas instituições políticas, econômicas, culturais e morais” (Dicionário Houaiss). Sem julgar a ninguém e analisando também a mim, percebi que é fácil ser revolucionário em tempos de revolução, ainda mais no Facebook e no conforto do quarto. É bonito e de bom tom apoiar o movimento, é cômodo vestir uma máscara e repetir o mesmo discurso. Difícil mesmo é ter uma ideia e cultivá-la ao ponto de transformá-la em realidade. Concordo com os protestos em São Paulo, valorizo as manifestações da população e acho que devemos apoiar a redução. Mas também fico me perguntando, a onde vão parar esses milhares de militantes virtuais quando tudo isso acabar?  
 Existem muitas coisas que precisam ser mudadas, não apenas no governo, mas também nas outras esferas da sociedade; como na nossa cidade, faculdade, vizinhança, lar e inclusive em nós mesmos. Sinceramente espero que os protestos possam surtir efeito e que esse espírito revolucionário prevaleça. Também espero que todos os Anonymous do Facebook possam “usar” essa máscara por mais tempo e que cultivem ideias que revolucionem não apenas a sociedade, mas que promovam internamente mudanças reais que os motivem a fazer alguma diferença seja lá qual for, com quem for ou onde for. O importante é agarrar uma ideia e fazer o máximo para colocá-la em prática seja no grito ou num progresso dia-a-dia.



4 comentários:

  1. Me fez lembrar de um livro chamado Walden II. A certa altura da narrativa, um dos personagens conta uma história ao outro.
    Era uma vez um rebanho de ovelhas. Todas elas viviam num cercado que dizia para não ser ultrapassado por causa da alta tensão. Estavam condicionadas a fazer nada Até que um dia, a ovelha filosófica pensa "e se a cerca não for realmente elétrica"? E conta seus pensamentos para as outras ovelhas.
    Um dia, uma ovelha com iniciativa resolve ir lá encostar na cerca e ver o que acontece. Nada. Abre a porteira e corre para a liberdade. Todo o rebanho a segue.
    Nas fotos que estão sendo publicadas só se consegue ver uma massa de pessoas. Não se tem como saber quem pensou em sair às ruas, nem quem resolveu sair às ruas. Agora está um movimento generalizado e, concordo com seu texto, onde irá parar esse grupo quando as coisas acalmarem? Foi só uma 'pressão do grupo' que movimentou todo mundo ou a ideologia é maior que esses atos e vai motivar as pessoas daqui pra frente? Pelo menos o brasileiro descobriu que a cerca não era elétrica e saiu do estado normal de apatia.

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  2. Hadassah, seu pai que é sábio, rsrs
    Hoje mesmo pensei em fazer um post sobre esse comportamento que você citou no Facebook, mas depois dem começar e apagar, desisti. Ficou cansativo ler o feed hoje. Não sou contra o protesto e acho que fazer valer a nossa opinião é o correto sim! Mas no facebook tudo ganha proporções gigantescas e muitas vezes vazias. Vi gente brigando entre si nos comentários, sabe...é preciso escolher melhor nossas batalhas, e certamente não é sentada em frente ao computador :)
    Adorei sua reflexão, bjs

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  3. Hadassah, concordo com você e estava refletindo sobre isso. Em um país onde o "jeitinho brasileiro" impera, se não houver uma mudança individual, não haverá a verdadeira mudança que se almeja. Acho que os protestos são válidos e importantes mas de nada adiantarão de se isso não se perpetuar. Belíssimo texto, moça. =)

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